A Triade da Graça – Parte 2

segunda-feira, abril 14th, 2014

Texto Bíblico: 1 Tessalonicenses 1: 3.

 

a-triade-da-graca-linaldolimaDando continuidade ao post anterior, completaremos o estudo sobre a triade da graça apresentando os outros dois elementos que são vitais para a fé cristã, juntamente com a fé: A  esperança e o amor.

Ao trabalho, meu povo!

2. ESPERANÇA (1Co 15: 19).
O Dicionário Michaelis define esperança como o “ato de esperar”, trazendo a ideia de expectativa na aquisição de um bem que se deseja. Na tríade da graça, a esperança é a segunda das três virtudes teológicas, cujo símbolo é uma âncora.

No texto acima, o apóstolo Paulo faz uma declaração contundente para os cristãos de Corinto. Mas por quê? Na época de Paulo, o cristianismo frequentemente levava uma pessoa à perseguição, ao ostracismo² em relação à família e, em muitos casos, à pobreza. Porém, existiam alguns benefícios materiais de ser um cristão naquela sociedade. Certamente não era um passo a mais na escala social ou na carreira. O fato é que, se Cristo não tivesse ressuscitado, os cristãos não teriam seus pecados perdoados e não teriam qualquer esperança de vida eterna.

Isto posto, apresentaremos três questões essenciais acerca da esperança do cristão, para nossa reflexão. São elas:

1) Ela é a chave para a vida cristã (1Co 15: 54 – 56, 58). Quando Jesus ressuscitou dos mortos, Deus tornou a aparente vitória de Satanás em derrota concreta (Cl 2: 15; Hb 2: 14, 15). Desse modo, a morte não é mais uma fonte de apreensão ou medo, porque Cristo a venceu e, um dia nós também a venceremos. Desta forma, a lei não nos tornará mais pecadores por não sermos capazes de guarda-la. A morte foi derrotada e, por essa razão, temos uma esperança além-túmulo.

Em virtude da ressurreição, nada do que fazemos é vão, pois saber que Cristo ganhou a suprema vitória deve afetar o modo como vivemos hoje.

2) Ela não está limitada a vida terrena (2Co 4: 18). Nossa maior esperança quando estamos experimentando uma enfermidade, perseguição ou dor é a certeza de que a vida não se limita a esta vida que temos hoje. Saber que viveremos para sempre com Deus em um lugar sem pecado e sofrimento pode nos ajudar a viver acima da dor que enfrentamos nesta vida.

3) Ela não tem medo da morte (2Co 5: 6 – 8). Paulo deixa claro para os coríntios que a morte não o atemorizava, porque ele confiava que passaria a eternidade com Cristo. É fato que enfrentar o desconhecido pode nos causar ansiedade, principalmente quando pensamos em deixar as pessoas que tanto amamos. Mas, se cremos em Jesus Cristo, podemos compartilhar a mesma esperança e confiança que Paulo tinha da vida eterna com Cristo.

Portanto, se o nosso objetivo como cristão é servir a Cristo esperando desfrutar das Suas bênçãos somente nesta vida, então estamos completamente dentro do contexto que Paulo apresentou aos coríntios: “Somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15: 19).

3. AMOR (Jo 3: 16; 1Co 13).
O amor é o elo mais importante da tríade da Graça. É mais importante do que todos os dons espirituais exercidos na Igreja. Grande fé, atos de dedicação ou sacrifício e poder de realizar milagres têm pouco efeito se estiverem desprovidos de amor. O amor faz com que nossas ações e dons sejam úteis.

Mas, antes de nos aprofundarmos no assunto, vale destacar os termos originais do Novo Testamento utilizados para a Amor, bem como seus significados.

a) Em hebraico o termo mais comum é ‘ahava’ e equivale ao nosso substantivo “amor” nos seus diversos significados. Outros termos são dod e raya (amor passional e pessoa amada, sobretudo no livro de Cantares), ydiyd (Salmo 127: 2), chashaq (Salmo 91: 14), chabab (Deuteronômio 33: 3), agab (Jeremias 4: 30 referindo à amante) e raham (Salmo 18: 1). O sentido de amor pode ser diverso, dependendo do contexto. Pode, por exemplo, ser usado nas relações pessoais (Gênesis 22: 2), que não tem nenhuma referência sexual, mas também em sentido de desejo sexual, como é evidente em Cântico dos Cânticos. Mas fundamentalmente é uma força interior que leva a uma ação agradável, caracterizada pelo sacrifício de si mesmo para alcançar o bem da pessoa amada (Levíticos 19: 18) ou obter o objeto que provoca desejo (Gênesis 27: 4).

b) Em grego, a palavra mais comum é ágape, agapao (João 3: 16; 1 Coríntios 13). É a palavra que os gregos usaram para traduzir o termo amor presente no Antigo Testamento. Uma palavra usada como alternativa para agape é phileo. Esta é usada mais explicitamente para o sentimento de afeto íntimo (João 11,3; Apocalipse 3,19) ou para indicar satisfação  em relação às coisas prazerosas (Mateus 6,5). Uma passagem clássica, que nos ajuda a entender bem a diferença de termos usados para o vocábulo português “amor”, se encontra em João 21,15-17.

No texto de João 3: 16, percebemos que Deus estabeleceu o exemplo do verdadeiro amor, a base para todos os relacionamentos amorosos: quem ama alguém carinhosamente está disposto a dar-se gratuitamente, a ponto de sacrificar a si mesmo. O amor de Deus o levou a pagar o preço da redenção do homem: a vida de seu Filho; o mais alto preço que Ele poderia pagar.

Infelizmente, nossa sociedade tem confundido o amor e a luxúria. Ao contrário desta, o amor de Deus é dirigido às outras pessoas. É totalmente desinteressado, o que acaba sendo contrário às nossas inclinações naturais. Somente Deus pode nos ajudar a colocar nossos próprios desejos de lado, de forma que possamos amar e não esperar nada em troca. É um sentimento que envolve o serviço desinteressado ao próximo, evidenciando que nos preocupamos uns com os outros (1Co 13: 4 – 7).

Concluímos, então, que a é o fundamente e o conteúdo da mensagem de Deus; a esperança é a atitude e o enfoque; e o amor é a ação. Quando nossa fé e esperança estiverem alinhadas, estaremos livres para amar completamente, porque compreenderemos a essência do amor de Deus.

Que Deus nos preencha com toda a Sua Graça!

Por Linaldo Lima
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GLOSSÁRIO:
¹Grau – 1. Intensidade, força. “A maior ou menor intensidade de uma doença”;
²Ostracismo – 1. Desterro, por meio de votação secreta, a que os atenienses condenavam os cidadãos cuja presença consideravam perigosa; 2. Exclusão, isolamento, proscrição.

 

BIBLIOGRAFIAS:

  1. BÍBLIA de Estudo Aplicação Pessoal. Versão Almeida, Revista e Corrigida, 1995
  2. NUNES, Pr. Wilson. Cartas aos Tessalonicenses – Lição 2: O modelo de uma igreja ideal. 1ª Ed. São Paulo, Cristã Evangélica, 2011.
  3. MICHAELIS.uol.com.br. Fé, Grau, Ostracismo, Esperança. Definições e conceitos disponíveis na internet via WWW, através da URL: http://www.michaelis.uol.com.br. Acessado em 31/03/2014, 04/04/2014 e 05/04/2014.
  4. ABIBLIA.org. Termos bíblicos originais para amor. Artigo disponível na internet via WWW, através da URL: http://www.abiblia.org/ver.php?id=2978#.U0C3yPldUk0. Acessado em 05/04/2014.
  5. SWINDOLL, Charles R. Jesus, o maior de todos. 1ª Ed. Mundo Cristão, 2008.

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