O que não devemos dizer pra quem está sofrendo

sábado, outubro 20th, 2012

Texto-Base: Jó 6: 21a
“Agora sois semelhantes a eles [os ribeiros que passam]”.

Estou refletindo novamente sobre o Livro de Jó (Bíblia Sagrada). Logo depois dos acontecimentos “desastrosos” da vida de Jó, ele recebe a visita de três “amigos” para ‘confortá-lo’.

Ao ler sobre essas três figuras (Elifaz, Bildade e Zofar), imagino a seguinte cena: você está sentado numa sala de hospital acompanhando um amigo doente, desfrutando aquele leve aroma de antisséptico e, ao redor, ouve o som de vozes falando baixinho. O prognóstico do médico para seu amigo é ruim. Você viu seu amigo se debater entre a revolta e o desespero, além de outras emoções. Chegou sua vez de falar. Todos na sala esperam sua opinião sobre a situação desse amigo.


sofrimentoO que se deve dizer a uma pessoa que está sofrendo?
Os três amigos de Jó, ao vê-lo em desespero, enchem o ar de conselhos de ‘alto nível’, mas desgraçadamente eles se transformam em exemplos do que não se deve dizer. A única coisa que seus argumentos conseguem fazer é que Jó se sinta ainda pior.

Jó é apresentado na narrativa do livro como um xeque muito rico do Oriente Médio. Seus três amigos, vindo de terras vizinhas, também eram homens prósperos e respeitados. Quando foram a Jó pela primeira vez, choraram em voz alta e se sentaram com ele na terra, guardando silêncio durante sete dias e sete noites, chocados pela sua aflição (Jó 2: 13).

O problema foi quando Jó resolveu romper o silêncio. Cada amigo, então, resolveu fazer seu discurso sobre aquele dilema. Elifaz, Bildade e Zofar se revezam para falar, permitindo que Jó vá respondendo a cada um. O primeiro discurso é apresentado com ideias firmes e nobres (Elifaz); já o segundo é mais breve e mostra menos compaixão, ao passo que o terceiro demonstra ter paixão e força interior.

Há três ciclos de discursos ao todo, que vão crescendo em intensidade emocional. No primeiro ciclo (capítulos 4 – 14), os amigos tentam trazer Jó para o seu ponto de vista; no segundo ciclo (capítulos 15 – 21), os discursos se tornam cada vez mais ameaçadores e severos. E quando chegam aos discursos finais (terceiro ciclo – capítulos 22 – 25), os amigos de Jó o acusam abertamente.

Os discursos dos amigos de Jó demonstram claramente que eles tinham uma teoria “aleijada” sobre o sofrimento. Para eles, Jó estava sofrendo porque devia ter cometido alguma falta gravíssima pela qual Deus o castigava. “Eis que Deus não rejeitará ao reto, nem toma pela mão aos malfeitores” (8: 20), demonstra claramente que eles criam que as pessoas boas prosperam e os maus sofrem; portanto, o sofrimento deve manifestar algum pecado secreto. E, quem já leu a história, sabe que Jó era inocente.

Mesmo a Bíblia dando vários exemplos, em outras passagens, de sofrimentos que tiveram sua origem no pecado de uma pessoa, o livro de Jó mostra claramente que tal teoria não se pode aplicar a todos os casos. Saiba que nem tudo de errado que possa estar acontecendo em sua vida é resultado de algum pecado que você cometeu. Não nos compete encontrar a causa dos sofrimentos de uma pessoa. Deus reserva tais conhecimentos para si mesmo.

Será que os cristãos sofrem acidentes? Ficam doentes de câncer? São despedidos de seus empregos? Claro que a resposta é sim.Entretanto, estas respostas às vezes causam grandes problemas a alguns novos convertidos. A Bíblia não promete que Deus cuidará de seus seguidores e os protegerá? Como, então, pode lhes acontecer coisas tão trágicas (Dt 8: 13 14)? E essas coisas trágicas, será que acontecem porque esses cristãos cometeram algum pecado capital?

Já vi alguns irmãos falarem abertamente: “Ta vendo! Isso está acontecendo com fulano, porque ele está em pecado”, ou simplesmente “Ele (ou ela) está colhendo o que plantou”. Na verdade, as pessoas que fazem esses tipos de comentários estão fazendo o papel dos “Amigos de Jó” e, podem ter certeza, estão piorando ainda mais a situação de quem está sofrendo.

Há muitas pessoas ao nosso redor que está sofrendo. Talvez você, que está lendo esta reflexão, pode estar sofrendo ou já ter passado recentemente por uma situação parecida. Você deve concordar comigo que, num momento de dor, o que mais a pessoa quer é ouvir bons conselhos, palavra de conforto, um abraço forte, uma mão estendida para ajudar ou, muitas vezes, ter alguém perto somente pra ficar perto, sem emitir uma palavra se quer. Mas, infelizmente, o número de pessoas que se apresentam para fazer isso é muito pouco, porque a maioria prefere apontar o dedo ou espalhar a notícia, para dar gargalhadas do sofrimento alheio.

Aprendi que se por um lado o sofrimento causa uma enorme dor em nossa vida, por outro ele mostra a qualidade das pessoas que estão ao nosso redor. Mostra quem são nossos amigos de verdade, e quem são os “amigos de Jó”. Nesse momento, as pessoas que nos cercam não podem ficar em cima do muro: ou escolhem o caminho mais fácil (o de julgar, apontar, condenar), ou o caminho mais nobre (ajudar, acolher, abraçar).

Escolher o caminho mais nobre exige sinceridade, amor ao próximo, desprendimento, dedicação ao outro… Exige cristianismo autêntico.E os “amigos de Jó” não sabem o que é isso.

Portanto, não seja um “amigo de Jó”. O fim deles é trágico!

Que Deus continue te abençoando.

Por Linaldo Lima
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