O que o cristianismo diz sobre o natal

O que o cristianismo diz sobre o natal

quinta-feira, dezembro 17th, 2015

verdade_sobre_natalO Natal é uma festa que veio do paganismo. Essa é a afirmação que o cristianismo histórico fará sobre o assunto. “Com base em quê, Sr. Cristianismo, você diz uma coisa ‘irresponsável’ dessa?” Resposta: Tanto a história quanto as Escrituras apresentam as provas necessárias para fundamentar essa questão.

Antes de começarmos, vale aqui uma observação: O objetivo desse estudo é trazer os esclarecimentos bíblicos e históricos sobre a festa natalina, jamais queremos “satanizar” ou radicalizar sobre essa festa, uma vez que as celebrações realizadas nas igrejas evangélicas geralmente estão canalizadas para o nascimento de Jesus, nosso Senhor e Salvador. Achamos que essa canalização é válida e não apresenta nenhum risco à fé cristã, mesmo acontecendo numa data que não condiz com a história.

Feita a ressalva, vamos embarcar em mais uma polêmica!

1. COMO TUDO COMEÇOU NO CRISTIANISMO.
Os cristãos não celebravam o natal durante os três primeiros séculos de nossa era. Esta festa só começou a ser introduzida no início do Século 4º quando Constantino se autodeclarou cristão, convocou o 1º concílio (em Nicéia, 325 d.C.) e oficializou a união entre Igreja e Estado, dando início a formação do sistema que hoje é conhecido como Igreja Católica Apostólica Romana.

Nos séculos 4º e 5º da nossa era, os pagãos do mundo romano se “converteram” em massa ao “cristianismo”, levando consigo suas antigas crenças e costumes pagãos, dissimulando-os sob nome cristãos. Foi quando se popularizou também a ideia de “a Madona e Seu Filho”, especialmente na época do Natal. Os cartões de Natal, as decorações e as cenas do presépio refletem esse mesmo tema.

Mas foi somente no Século 5º que a Igreja Romana oficializou o Natal como uma festa cristã, que deveria ser celebrada anualmente e para sempre, no mesmo dia da festividade secular romana em honra ao nascimento do deus Sol, uma vez que não se conhecia a data exata do nascimento de Cristo. OI? “DEUS O QUÊ?” Explicaremos melhor essa lambança no ponto XX deste estudo.

Há um artigo específico sobre o natal na “Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog”, que fazemos questão de transcrevê-lo abaixo. Lá vai:

     “Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália (25 de dezembro), que seguia a Saturnália (17 a 24 de dezembro) e comemorava o nascimento do deus sol, no dia mais curto do ano.

    As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes populares para serem suprimidos pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma de sua observância. Pregadores cristãos do ocidente e do oriente próximo protestaram contra a frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam a seus irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol por aceitar como cristã essa festividade pagã.

    Recordemos que o mundo romano havia sido pagão. Antes do século 4o os cristãos eram poucos, embora estivessem aumentando em número, e eram perseguidos pelo governo e pelos pagãos. Porém, com a vinda do imperador Constantino (no século 4o) que se declarou cristão, elevando o cristianismo a um nível de igualdade com o paganismo, o mundo romano começou a aceitar este cristianismo popularizado e os novos adeptos somaram a centenas de milhares.

    Tenhamos em conta que esta gente havia sido educada nos costumes pagãos, sendo o principal aquela festa idólatra de 25 de dezembro. Era uma festa de alegria [carnal] muito especial. Agradava ao povo! Não queriam suprimi-la.”

O referido artigo revela como Constantino e a influência do maniqueísmo (que identifica o Filho de Deus com o sol) levaram aqueles pagãos do século 4º – que tinham se “convertido” em massa ao “cristianismo” – a adaptarem a festa do dia 25 de dezembro (data de nascimento do deus sol), dando a ela o título de “Natal do Filho de Deus”.

Como se diz nos contos de fadas: “E foi assim que…” o Natal foi introduzido no mundo ocidental! A festa pagã de culto ao “deus sol” mudou de nome. A ideia de Constantino era cristianizar o paganismo, mas na verdade o que aconteceu depois disso foi uma paganização do cristianismo.

Vejamos o que diz a Enciclopédia Britânica sobre o assunto:

    “A partir do ano 354 alguns latinos puderam mudar de 6 de janeiro para 25 de dezembro a festa que até então era chamada de Mitraica, o aniversário do invencível sol… os sírios e os armênios idólatras e adoradores do sol, apegando-se à data de 6 de janeiro, acusavam os romanos sustentando que a festa de 25 de dezembro havia sido inventada pelos discípulos de Cerinto”.

2. A VERDADEIRA ORIGEM DO NATAL.
Tudo gira em torno de um indivíduo chamado Ninrode (Quem?!), que descente de Cam (filho de Noé) (Gn 10: 8-9). Ele foi peça fundamental no combate para conter a dispersão dos povos, com ações tais como: (1) criou a instituição de ajuntamentos (cidades); (2) construiu a torre de Babel (a Babilônia original); (3) fundou Nínive e muitas outras cidades; (4) organizou o primeiro sistema monárquico deste mundo (Babilônia).

Segundo alguns escritos, Ninrode casou-se com a própria mãe, Semiramis. Quando ele morreu, prematuramente, sua mãe-esposa estava grávida de Tamuz. Quando o menino nasceu, Semiramis propagou que Tamuz era a reencarnação de Ninrode. Além disso, a suma-sacerdotisa declarou que, em cada aniversário de seu nascimento (25 de dezembro), Ninrode desejaria receber presentes em uma árvore.

Depois disso, Semiramis se autodeclarou “rainha do céu” e Ninrode, “o divino filho do céu”. Após várias gerações dessa adoração idólatra, Ninrode passou a ser reconhecido como um (falso) messias, filho de Baal, o deus-sol. O resumo da ópera é que os dois (Semiramis e Ninrode encarnado em seu filho Tamuz) se tornaram os principais objetos de adoração do sistema religioso da Babilônia. Essa veneração de “a Madona e Seu Filho” se estendeu por todo o mundo, com variações de nomes e idiomas. Esse tipo de veneração é a precursora da “Mariolatria”, muito antes do nascimento de Jesus.

A verdadeira origem do Natal está na antiga Babilônia. Está envolvida na apostasia organizada que tem mantido o mundo no engano desde há muitos séculos! No Egito sempre se creu que o filho de Ísis (nome egípcio da “rainha do céu”) nasceu em 25 de dezembro. Os pagãos em todo o mundo conhecido à época já celebravam esta data séculos antes do nascimento de Cristo.

3. QUANDO JESUS NASCEU.
Não foi em 25 de dezembro… Isso é fato! Ele nasceu no período da Festa dos Tabernáculos, que acontecia ao final do 7º mês do calendário judaico (Tisri ou Etanim), correspondente ao mês de setembro do nosso calendário (Lv 23: 39-44; Ne 8: 13-18).

As Escrituras mostram alguns detalhes que nos ajudam a situar cronologicamente o nascimento de Jesus. Vejamos:

  • Os levitas eram divididos em 24 turnos anuais, tendo cada turno uma duração de 15 dias, que totalizava 360 dias (24 x 15 = 360) ou quase 1 ano (1 Crônicas 24: 1-19);
  • O oitavo turno pertencia a Abias (1 Crônicas 24: 10);
  • O primeiro turno tinha início no primeiro mês do calendário Judaico (Abibe ou Nisan) (Êxodo 12: 1-2; 13: 4);
  • Segue tabela com a divisão dos turnos levitas:

Tabelas Meses Judaicos

“E pra quê essa “papagaiada” toda?”, você pode perguntar. “Calma, benção, o negócio vai começar a estreitar agora”, será nossa resposta.

Segundo o texto sagrado de Lucas 1: 5, 8-9, Zacarias era sacerdote e ministrava no templo durante o “turno de Abias”. Terminado seu turno, retornou pra casa e teve a notícia que sua esposa Isabel, que era estéril, concebeu (gerou) João Batista (Lc 1:23-24) no final do mês de Thamuz (junho/julho) ou início do mês de Ab (julho/agosto), aproximadamente.

Seis meses depois do acontecido, Jesus foi gerado no ventre de Maria (Lc 1: 24-38), no fim do Tevet (dezembro/janeiro) ou início de Shebât (janeiro/fevereiro). Nove meses depois, no final de Etanim (setembro/outubro), mês em que os Judeus comemoravam a Festa dos Tabernáculos, nasceu Jesus Cristo, o Emanuel (Deus conosco). Portanto, cronologicamente está comprovado que Jesus não nasceu em 25 de dezembro!

4. ONDE ENTRA O “PAPAI NOEL” NESSA HISTÓRIA?
Pois é, o “bom velhinho” (como é conhecido o Papai Noel) é uma lenda baseada em Nicolau, bispo católico do século 5º.  “São Nicolau, o bispo de Mira, nascido em 6 de dezembro, era um santo venerado pelos gregos e latinos. Conta-se uma lenda segundo a qual [esse bispo] presenteava ocultamente a três filhas de um homem pobre. Essa ação deu origem ao costume de dar presentes em secreto na véspera do dia de São Nicolau (6 de dezembro). Essa data depois foi transferida para o dia de Natal. Daí a associação do Natal com São Nicolau… Que virou “Papai Noel”” (Enciclopédia Britânica, 11ª edição, vol. 19, páginas 648-649).

5. CONCLUSÃO.
Postos os fatos, chegamos à conclusão que o costume de celebrar o Natal, na verdade, não é oriundo do cristianismo, mas sim um costume pagão. Entretanto, não enxergamos qualquer problema em se “aproveitar” para celebrar o dia do nascimento de Jesus como homem para agradecer pelo cumprimento do Plano de Deus em nos salvar, mesmo sabendo que o dia em que esse acontecimento é celebrado não condiz com o dia que Ele nasceu, de fato.

Mas também vale aqui uma ressalva: Se as igrejas vão celebrar o Natal única e exclusivamente para celebrar a encarnação de Jesus, elas não devem incrementar os adereços pagãos que compõem essa festa, tais como papai noel, árvores, guirlandas, velas, pisca-pisca, dentre outros. Ao adotar estes instrumentos, aí sim, a Igreja estará fazendo o mesmo que Constantino realizou no século 5º e perdura até hoje no seio (ignorante) do convívio de muitos cristãos.

#SolaScriptura
#VoltemosAoEvangelhoPuro&Simples

Por Linaldo Lima
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BIBLIOGRAFIA:

  • STERN, David H. Bíblia Judaica Completa, São Paulo-SP: Vida, 2010;
  • JAMES, Kim. Bíblia de Estudo Atualizada. Versão KJA. 2001-2011 v1. 2 – Disponível no aplicativo Bible Analyser 4;
  • SCHAFF, Philip. HERZOG, Johann Jakob. The New Encyclopedia of Religious Knowledge, Domínio Público, 1914.
  • SOLASRCIPTURA-TT.org. O Natal veio do paganismo. Disponível na internet via WWW, através da URL: http://solascriptura-tt.org/Diversos/NatalVeioDoPaganismo-Helio.htm. Acessado em 01/12/2015.

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