As Ordenanças da Igreja – Parte 2 – O BATISMO

sábado, agosto 25th, 2012

baptismTextos-Base: Mateus 28: 18-19 / Marcos 16: 15-16

O batismo cristão significa identificação com a mensagem da salvação, a pessoa do Salvador e a comunidade de cristãos.

Dando continuidade ao estudo sobre as ordenanças da Igreja, agora detalharemos mais um pouco sobre o Batismo Cristão.

1. O Batismo Cristão.
O batismo foi instituído por Cristo depois que ele consumou a obra de reconciliação e depois que esta recebeu a aprovação do Pai da ressurreição (Mateus 28: 18-19). A importância do batismo é apoiada pelas seguintes considerações:

  1. Cristo foi batizado (Mt 3: 16). Embora o significado de seu batismo seja totalmente diferente do significado do batismo cristão, existe um sentido em que seguimos o Senhor quando somos batizados;
  2. O Senhor aprovou que seus discípulos batizassem (Jo 4: 1, 2);
  3. Cristo ordenou que as pessoas fossem batizadas na era da Igreja (Mt 28: 19);
  4. A Igreja primitiva deu lugar de destaque ao batismo (At 2: 38, 41; 8: 12, 13, 36; 9: 18; 10: 47, 48; 16: 15, 33; 18: 8; 19: 5);
  5. O Novo Testamento usou a ordenança para retratar ou simbolizar importantes verdades teológicas (Rm 6: 1 – 10; Gl 3: 27; 1Pe 3: 21);
  6. O autor de Hebreus estabeleceu o batismo como uma verdade fundamental (Hb 6: 1, 2). Não é mais opcional ou menos importante do que as doutrinas do arrependimento, ressurreição e juízo.


2.
O Significado do Batismo
Biblicamente, o batismo é associado ao perdão, à união com Cristo, ao fazer discípulos e ao arrependimento (At 2: 38; Rm 6: 1-10; Mt 28: 19).  Teologicamente o batismo pode ser definido como um ato de associação ou de identificação com uma pessoa, um grupo, uma mensagem ou um evento. Como um dos exemplos, podemos citar:

  • O batismo de João, que associava seus seguidores à mensagem da justiça (eles não tinham um grupo ao qual se unir);
  • Para Tiago e João, ser batizado com o batismo de Cristo significava estar associado com seu sofrimento (Mc 10: 38, 39). Eles disseram que estavam dispostos a enfrentar qualquer provação por amor a Cristo; e ambos realmente enfrentaram, pois Tiago morreu como mártir (At 12: 2), e João foi forçado a viver no exílio (Ap 1: 9);
  • Ser batizado com o Espírito associa a pessoa com o Corpo de Cristo (1Co 12: 13) e com a vida nova em Cristo (Rm 6: 1-10);
  • Ser batizado em Moisés envolve a identificação com sua liderança ao tirar os israelitas do Egito (1Co 10: 2). A frase “e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar” significa que da mesma maneira que somos unidos em Cristo pelo batismo, os israelitas foram unidos sob a liderança de Moisés e pelos eventos ocorridos durante o Êxodo.


O batismo cristão significa identificação com a mensagem da salvação, a pessoa do Salvador e a comunidade de cristãos. Alguns dos batismos citados acima não envolvem água.


3.
Os Sujeitos ao Batismo.
Como sempre costumamos falar, perguntar não ofende: Somente os que creem deveriam ser batizados ou os filhos dos pais que se converteram também devem ser batizados? Para responder a essa pergunta, utilizaremos alguns argumentos bíblicos e históricos que são favoráveis e contrários ao batismo infantil.

Como argumento favorável, podemos utilizar o texto de Colossenses 2: 11,12, que faz uma ligação clara entre circuncisão e batismo. Uma vez que no Antigo Testamento as crianças eram circuncidadas, na nova aliança elas também deveriam ser batizadas. Esses rituais indicam a participação na aliança, mas não necessariamente uma fé pessoal. Desde o seu início, a Igreja praticou o batismo infantil, associando-o com a circuncisão. Outra informação que serve como argumento favorável é a de que famílias inteiras eram batizadas no Novo Testamento, o que é provável que algumas crianças pequenas tenham sido incluídas em alguns desses batismos (Ref.: Atos 11: 14; 16, 15, 31, 33; 18: 8, 1Co 1: 16).

Como argumentos contrários ao batismo infantil, podemos citar o seguinte:

a) A ordem das Escrituras é sempre a de que a pessoa deve crer e depois ser batizada (Mt 3: 2-6; 28: 19; At 2: 37, 38);

b) O batismo é o rito inicial da comunidade de fiéis (Ekklesia, a Igreja) e, portanto, deveria ser feito apenas por pessoas capazes de exercer a fé conscientemente. A circuncisão iniciava as pessoas, incluindo as crianças, em uma teocracia, que não possuía descrentes entre elas;

c) A idade da criança jamais é mencionada em passagem alguma que cita o batismo em famílias;

d) Se a passagem de 1 Coríntios 7: 14 requer o batismo de crianças, então permitiria também o batismo do pai não-cristão.


4.
Segundo Batismo.
Existe somente um exemplo claro nas Escrituras sobre pessoas que foram batizadas duas vezes, a saber: os 12 (doze) homens batizados por João Batista que foram novamente batizados por Paulo, após crer na mensagem da Cruz (Atos 19: 1-5).

Essa passagem serve como exemplo para aconselhar os que foram batizados quando crianças, adolescentes ou adultos e se converteram recentemente. Ela também serve de argumento contra o batismo infantil. Basta fazer a seguinte pergunta: “Por que batizar uma criança se, após aceitar a Cristo, ela deverá ser batizada de novo?”


5.
O Tempo do Batismo.
Os exemplos bíblicos do Novo Testamento indicam que os cristão foram batizados logo após crer em Jesus. Essa é a única condição exigida para o batismo (crer em Jesus). Não há indicação de um período probatório, mesmo isso sendo uma justificativa para atestar se a fé do novo cristão é genuína.


6.
As maneiras de Batizar.
As principais maneiras de realizar o batismo que são mencionadas nas Escrituras são:

a) Batismo por Aspersão (borrifo, respingo). Certos rituais de purificação envolviam a lavagem por aspersão (Êx 24: 6, 7; Lv 14: 7; Nm 19: 4, 8), ou ainda “abluções” (batismo) (Hb 9: 2). A palavra grega baptizo é usada em sentido secundário, “colocar sob a influência de”, e aspersão traduz melhor esse sentido. A maior parte da Igreja visível não utiliza a imersão, com exceção dos batistas e dos movimentos pentecostais, que tiveram maior desenvolvimento nas últimas duas décadas;

b) Batismo por Efusão (escoamento, saída de água por um orifício). Também conhecido como derramamento de água, é a forma que melhor retrata a vinda e moradia do Espírito sobre a vida do cristão (Jl 2: 28, 29; At 2: 17, 18); desenhos registrados da Igreja dos primeiros séculos mostravam o candidato ao batismo com água na altura da cintura, enquanto a pessoa que estava batizando derrama um pouco de água sobre a sua cabeça com uma espécie de tigela;

c) Batismo por Imersão. É o sentido normal e primário da palavra grega baptizõ. A língua grega possui palavras para “aspergir” e “derramar”, mas elas jamais são usadas em relação ao batismo. A imersão retrata melhor o significado do batismo. Segundo os batistas, a imersão, seguida pela emersão, é o essencial no simbolismo do batismo, cuja idéia principal se expressa no afundar na água e no sair dela (Rm 6: 1-4).

Utilizando um pouco da história, o batismo por imersão podia ser feito em dois casos: (1) Em Jerusalém havia tanques o suficiente para permitir a imersão de 03 mil convertidos no dia de Pentecostes; e (2) havia fontes de água na estrada de Gaza, mesmo esta sendo desértica. A efusão foi à primeira forma de batismo que diferia da imersão, e era permitida em caso de doença. Também era chamado de batismo clínico. Cipriano (248-258 d. C.) foi o primeiro a aprovar o batismo por aspersão.

Para concluir essa parte do estudo, o batismo é um símbolo importante do cristianismo, principalmente como declaração da profissão de fé do novo cristão ao mundo. Os discípulos de Jesus deveriam batizar as pessoas porque o batismo simboliza morrer para o pecado e ressuscitar para uma nova vida com Cristo.

Precisamos deixar claro que não é a água do batismo que salva, mas a graça de Deus recebida por meio da fé (Ef 2: 8, 9). Pela resposta de Cristo ao ladrão arrependido na cruz, sabemos que é possível, sim, que alguém seja salvo mesmo sem ter sido batizado nas águas (Lc 23: 43). Contudo, é necessário lembrar que o batismo é uma etapa importante na vida daqueles que entregaram sua vida a Jesus.

O batismo representa submissão a Cristo, disposição para viver de acordo com a vontade de Deus e identificação com o povo da Aliança de Deus.

Que Deus continue te abençoando e até o próximo estudo!

 


BIBLIOGRAFIA

RYRIE, Charles Caldwell. Teologia Básica – Ao alcance de todos. São Paulo, Mundo Cristão, 2004.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. 3ª Ed. São Paulo, Cultura Cristã, 2009.

BÍBLIA de Estudo Aplicação Pessoal. Versão Almeida, Revista e Corrigida. 1995.

AURÉLIO. Dicionário Eletrônico Século XXI. Acessado em 22 e 23/05/2012.

 

Por Linaldo Lima
WebSite Oficial: http://www.linaldolima.com
Blog: http://linaldolima.blogspot.com

E-mails: contato@linaldolima.com / linaldolima@gmail.com
Facebook: http://www.facebook.com/linaldolimajunior
Skype: linaldolima
Twitter: @linaldolima

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *