O Dilema dos Jardins

terça-feira, agosto 18th, 2015

Texto-Base: Gênesis 2: 9, 16-17; 3: 22-24 / Mateus 26:38-39

Dois jardins estão no centro da história da humanidade. Cada um deles apresenta personagens distintos e um dilema comum a ambos. A resposta a esse dilema é determinante para definir o rumo da humanidade. Quanto aos jardins, referimo-nos ao Éden e Getsêmani. Os personagens são Adão e Jesus. E o dilema está em torno de obedecer ou não a vontade de Deus. Sem muitos rodeios, vamos a nossa reflexão.

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1. O Éden.
O Jardim do Éden foi o paraíso da Criação de Deus. Foi lá que o Senhor “fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida…” (Gn 2:9). Nessa reserva verdejante natural, Deus colocou, de propósito, duas árvores que são fundamentais para tudo que segue em toda história humana. A árvore da vida representa o estado eterno de vida, enquanto que a árvore da ciência do bem e do mal representa a autonomia humana.

O Senhor Deus, também, deixou uma ordem expressa ao homem: “Não comer” da árvore da ciência do bem e do mal. A consequência da teimosia seria a “morte” (vs. 16). Essa morte inclui o todo do homem (existência espiritual, moral, social e relacional do ser humano e, principalmente, na sua existência física).

No contexto desta passagem, há alguns pontos importantes a serem observados, tais como:

1.1.Deus deu ao homem a oportunidade de escolha
Por que Deus plantaria uma árvore no jardim e então proibiria Adão de comer o seu fruto? Deus queria a obediência de Adão, mas deu-lhe a liberdade de escolher. Em vez de impedi-lo fisicamente, Deus lhe concedeu esta chance de escolha e, com isso, a possibilidade de escolher errado. Sem a escolha, o homem seria um prisioneiro, e, sua obediência não teria sido sincera.

As duas árvores proporcionam um exercício de escolha, com recompensas ao optar pela obediência e tristes conseqüências pela desobediência.

1.2.A escolha baseada no orgulho.
Ao comer do fruto “proibido”, o homem, sob a influência do diabo, estava declarando sua independência de Deus. Agora o homem usaria seu conhecimento para governar o mundo à sua moda, sob influência maligna. Com isso, a prostituição, as guerras e toda sorte de maldades se proliferaram por toda terra, através de homens corrompidos pelo pecado, cheios de orgulho e longe da vontade de Deus. Adão se separou de Deus pelo desejo de agir por si próprio.

1.3.A Consequência: O corrompido é expulso do lugar sem corrupção.
Após a escolha errada, Deus expulsou o homem do Jardim. Além disso, colocou anjos armados ao oriente do paraíso para guardar o caminho de acesso a árvore da vida (Gn 3:24), pois se Adão voltasse e comesse do fruto, entraria no estado de condenação eterna, e não poderia mais ser remido.

Essa ação preventiva de Deus se deu porque a remissão do homem por intermédio de Jesus na Cruz já estava definida antes mesmo da fundação do mundo. Deus já tinha o remédio para trazer o homem de volta, caso este optasse pela escolha errada.

“Concluindo, da mesma forma como o pecado ingressou no mundo por meio de um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte foi legada a todos os seres humanos, porquanto todos pecaram. Porque antes de ser promulgada a Lei, o pecado já estava no mundo; todavia, o pecado não é levado em conta quando não existe a lei. No entanto, a morte reinou desde a época de Adão até os dias de Moisés, mesmo sobre aqueles que não cometeram pecado semelhante à desobediência de Adão, o qual era uma prefiguração daquele que haveria de vir” (Romanos 5: 12-14).

Para fechar esse ponto, no dilema do primeiro jardim o homem decidiu tirar Deus de sua vida e construir uma história à parte. Essa escolha trouxe a consequente separação entre Criador e Criatura.

2. O Getsêmani (Mateus 26:38-39).
O Getsêmani (prensa de azeite, em hebraico), ficava a leste de Jerusalém, no monte das oliveiras. Tinha um formato quadrilátero, medindo cerca de cinquenta metros de superfície, e está rodeado por um muro. No lugar onde as azeitonas eram prensadas e esmagadas, Jesus também foi preso e esmagado.

Foi nesse jardim que houve o maior dilema de todos. Momentos antes de ser preso, uma profunda tristeza invade o coração de Jesus, que o fez exteriorizá-la para os discípulos mais íntimos (Pedro, Tiago e João). Ele pediu a Deus que aquele momento fosse transferido para outra pessoa. O problema é que não havia ninguém, além de Jesus, que pudesse realizar o que Ele fez. E foi nesse mesmo lugar, o Getsêmani, onde houve a maior decisão de todas.

Jesus escolheu fazer a vontade de Deus para a humanidade. Cumpriu-se o que fora dito pelo profeta Isaías: “Ele foi transpassado por causa das nossas próprias culpas e transgressões, foi esmagado por conta das nossas iniquidades; o castigo que nos propiciou a paz caiu todo sobre ele, e mediante suas feridas fomos curados” (Is 53:5).

Se no primeiro Jardim, o homem decidiu andar sem Deus, no segundo jardim Deus trouxe o homem de volta para Seus braços. Só que ainda falta uma árvore nessa história! E ela só poderá ser vista e ter seu fruto comido por causa da decisão de Jesus no Getsêmani.

3. O retorno definitivo ao paraíso de Deus.
“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à ÁRVORE DA VIDA e possam entrar na cidade pelas portas” (Apocalipse 22: 14).

O cenário aqui muda completamente. No lugar de um jardim paradisíaco, há uma cidade. Todavia, a mesma árvore está lá. Somente as pessoas que purificarem suas vidas pecaminosas no “sangue do cordeiro” terão direito de comer o fruto dessa árvore. O próprio Jesus já disse: “Eu sou a videira verdadeira…” (Jo 16:1). Ele é a ÁRVORE DA VIDA.

O “segundo Adão”, como o define o apóstolo Paulo (Rm 5: 16-21) nos devolveu o direito de comer do fruto da árvore da vida. Deus restabeleceu a sua aliança com homem, o criador e a criatura, através da obediência de Seu filho unigênito. Deus continua nos dando chances de “comer” da árvore da vida, mas nós ainda estamos acostumados a escolher errado.

Tais erros poderão nos causar dor, mas nos ajudam a aprender e fazer escolhas melhores no futuro. Quando estivermos diante de uma escolha, escolhamos sempre obedecer a Deus. Essa é a melhor decisão.

#DEUSéaMelhorEscolha!

Por Linaldo Lima
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BIBLIOGRAFIAS:

  1. STERN, David H. Bíblia Judaica Completa, São Paulo-SP: Vida, 2010;
  2. JAMES, Kim. Bíblia de Estudo Atualizada. Versão KJA. 2001-2011 v1. 2 – Disponível no aplicativo Bible Analyser 4.

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