A crença de que o feto é um ser humano em potencial

quarta-feira, dezembro 5th, 2012

abortoNessa parte do estudo vamos tratar a abordagem que considera o nascituro como um ser humano em potencial e, consequentemente, aprova o aborto para casos específicos. Vamos ao trabalho.

Os proponentes dessa abordagem argumentam que a humanidade de um indivíduo se desenvolve gradualmente entre a concepção e o nascimento. O feto começa como um ser humano em potencial e se torna plenamente humano gradualmente. De modo geral, os defensores dessa abordagem aceitam o aborto em casos de preservação da vida da mãe, estupro, incesto e em muitos casos de malformação genética.


1.
Argumentos Bíblicos sobre o Feto ser um Ser Humano em Potencial.
Várias passagens bíblicas são usadas para sustentar a ideia de que os nascituros são apenas seres humanos em potencial. Seguem algumas das que consideramos mais importantes para o tema, a saber:

  • Êxodo 21: 22 – 23.Essa passagem é utilizada para demonstrar que pela morte de um feto era cobrada apenas uma multa, mas pela morte da mãe a pena era capital. Sendo assim, a vida da mãe tinha um valor maior do que a vida em potencial do feto. A expressão “a ponto de a criança sair” significa um aborto, segundo os favoráveis a essa abordagem; enquanto que a expressão “sem que haja outro dano” deve ser uma referência à mãe, uma vez que o aborto já produziu a morte do feto. Em suma, a multa aplicada pela morte do feto, em oposição à pena capital, seria um indício de que os fetos não são considerados plenamente humanos.
  • Salmo 51: 5. Eles utilizam esse texto para defender que Davi era um pecador em potencial, e isso porque era uma pessoa em potencial.
  • Salmo 139: 13, 15 – 16. O salmista aqui escreveu acerca do processo pelo qual somos formados no ventre de nossas mães. Partindo desses versículos, argumenta-se que o feto não é plenamente humano porque ainda se encontra no processo de formação (“me teceste”), e esse processo é descrito pela expressão “substância ainda sem forma”.

2. Resposta aos Argumentos Bíblicos.
O texto de Êxodo 21 não ensina que um feto é um humano em potencial. Não se pode sequer inferir esse tipo de ideia dessa passagem. A palavra hebraica utilizada para a expressão “criança sair” é yãsã’, que significa “dar á luz”. É a mesma expressão hebraica regularmente utilizada no Antigo Testamento para designar o nascimento de bebês vivos. Nessa passagem, a expressão se refere ao nascimento prematuro de um bebê vivo, e não há qualquer referência a um aborto espontâneo. A palavra, no hebraico, para designar um aborto espontâneo é sãkol, que não é usada nesse contexto. O termo utilizado para descrever o fruto do ventre materno aqui é yeled, que significa “criança”. Esta é a mesma palavra usada para descrever bebês e crianças pequenas (Gn 21: 8; Ex 2: 3). Se qualquer dano fosse sofrido pela mãe ou pelo bebê, uma mesma punição deveria ser aplicada: “vida por vida” (v. 23). Essa interpretação à luz do texto original nos revela que o nascituro era considerado como possuindo o mesmo valor que sua mãe.

Quanto ao texto do Salmo 51: 5 estes não dá suporte à abordagem do feto como ser humano em potencial, por um simples fato: os seres humanos serem considerados pecadores desde a concepção revela que eles são humanos, isto é, que são parte da raça humana caída. Por sermos parte da raça adâmica, é que somos concebidos em pecado.

O Salmo 139 apoia firmemente a abordagem de que os nascituros são plenamente humanos, e não apenas humanos em potencial. A expressão “sem forma” (v. 16) não significa “não humano” da mesma maneira que a expressão “malformação” também não. O bebê no ventre é referido como um ser feito por Deus, tal como Adão foi feito (Gn 2: 7) à imagem de Deus (Gn 1: 27). Cada criança nascitura que se encontra no ventre de sua mãe também está registrada no livro de Deus nos céus (Sl 139: 16).

3.

Outros Argumentos Favoráveis à Abordagem Feto ser um Ser Humano em Potencial.
Como fizemos no estudo anterior, também apresentaremos neste alguns dos vários outros argumentos não bíblicos em apoio à abordagem de que os fetos são apenas humanos em potencial, a saber:

 

(1) A personalidade humana se desenvolve de forma gradual. Os defensores dessa abordagem alegam que um indivíduo não é concebido com percepção de sua identidade pessoal. Ele se desenvolve de forma gradual e por meio de relacionamentos com outras pessoas. Contra-Argumento: A personalidade é um conceito psicológico, ao passo que a pessoalidade é uma categoria ontológica (de natureza). A personalidade é uma propriedade, mas a pessoalidade é uma substância da humanidade. Personalidades são formadas pelo meio ambiente, mas a pessoalidade é criada por Deus. Dessa forma, a personalidade se desenvolve de forma gradual, mas a pessoalidade surge no exato momento da concepção. Se a pessoalidade for identificada com a personalidade, uma pessoa mal ajustada não pode ser considerada propriamente humana. Uma vez que a personalidade envolve consciência, aqueles que estão inconscientes deixariam de ser humanos. Com base nisso, matar pessoas que estão inconscientes seria algo aceitável.

(2) O desenvolvimento humano está conectado ao desenvolvimento físico. Está claro que há um desenvolvimento físico entre a concepção e o nascimento. Nem todos os órgãos do corpo humano e nem todas as suas funções estão presentes na concepção; eles se desenvolvem, de forma gradual, ao longo do período pré-natal. Todavia, também é verdade que há uma relação entre o desenvolvimento psicológico e físico. Com base nisso, alguns argumentam que o desenvolvimento da pessoalidade ocorre à medida que o corpo humano se desenvolve. Contra-Argumento: A alma não precisa mudar conforme muda o corpo. Só porque o corpo humano se desenvolve isso não quer dizer que a alma também se desenvolve. Um jarro pode manter uma mesma forma, independente de ser grande ou pequeno. Da mesma forma, o pequenino corpo de um óvulo fertilizado pode conter a mesma alma que estará presente pouco depois num feto e, em seguida, num corpo muito maior de um adulto.

(3) A analogia com outros seres vivos. Uma manga não é uma mangueira, nem um ovo é uma galinha. Assim, o embrião está para o ser humano da mesma maneira que a manga está para a mangueira, ou o ovo para a galinha. Como um ovo não é uma galinha, o feto também não é um ser humano, por analogia. Contra-Argumento: Na perspectiva da botânica, é um erro dizer que uma manga é uma mangueira em potencial. Uma manga é uma minúscula mangueira dentro de uma casca. Toda a informação genética necessária para a formação de uma mangueira se encontra em uma manga, bem como toda a informação necessária para a formação de um ser humano encontra-se em um óvulo fertilizado. Portanto, um embrião não é uma vida humana em potencial; mas sim, uma vida humana com grande potencial.

Aqui finalizamos a segunda abordagem sobre o aborto. No próximo estudo trataremos da questão que considera o feto como um ser plenamente humano, cujos adeptos dessa abordagem formam a corrente do “não ao aborto”. Até lá!

Que Deus continue te abençoando.

Por Linaldo Lima
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BIBLIOGRAFIA:

GEISLER, Norman L. Ética cristã: opções e questões contemporâneas. 2ª Ed. São Paulo, Vida Nova, 2010;

  • BÍBLIA de Estudo Aplicação Pessoal. Versão Almeida, Revista e Corrigida. 1995.

 

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