Um “deus” a serviço de Deus

quarta-feira, março 5th, 2014

“Naquela época, César Augusto publicou um decreto, convocando para um recenseamento, todos os moradores de terras dominadas por seu império. Este foi o primeiro recenseamento da população de todo o império romano, quando Quirino era governador da Assíria…” (Lucas 2: 1 – 2).

octavio-cesar-augusto-um-deus-a-servico-de-deusApós a morte de Júlio César, em 44 a.C, toda a riqueza e poder do ditador se tornaram patrimônio hereditário Gaio Otávio, seu filho adotado e único herdeiro. Como diz Charles R. Swindoll, “num período de duas décadas, ele passou de um imaturo jovem de 19 anos de idade a um líder incomparável do império romano”. Fiquei me perguntando que grande líder romano teve um nome tão bizarro? Acontece que, em Roma, não é só o Papa que possui um título que substitui o próprio nome de nascença. Como diz o outro, lá o “buraco é mais embaixo”.

Além do título de César (título de todo imperador romano que sucedeu Júlio Cesar), Gaio recebeu os títulos de Princeps (principal cidadão), Pontifex Maximus (sumo sacerdote) e, por fim, Augustus (governador supremo (deus romano)). Todos esses títulos lhe foram dados enquanto se fingia de líder humilde, ainda vivendo à sombra da história de seu pai. Voltando a explicação do nome, após os títulos recebidos, Gaio Otávio passou a ser chamado de Otávio César Augusto (Imperador Supremo). Ahhhhhhh, agora sim ficou familiar, não é?!

Pois bem, César Augusto aproveitou a ocasião da passagem do cometa Halley (12 a.C.) para declarar que aquilo era o espírito de Júlio César entrando no céu… E os supersticiosos romanos não ousaram duvidar quando Augusto sugeriu que ele deveria ser adorado. Afinal de contas, era filho de um deus (Swindoll, 2008). Agora com o poder de um deus, Augusto declarou que todo o reino deveria se submeter a um recenseamento, que não acontecia em Roma há séculos.

Os dias em que se passaram esse contexto bíblico eram de opressão econômica, tirania política e terrorismo crescente (realizado pelos zelotes). Foi nesse mesmo período que, por força do decreto do imperador-deus, as famílias precisaram retornar à cidade de seus ancestrais para prestar contas de sua vida a um “censor” (um magistrado cujas funções eram fazer o registro de cidadãos, de suas propriedades, supervisionar as atas do senado e a conduta moral do povo). Nesse período, o censor também avaliava o caráter e a conduta das pessoas… E isso se tornou uma grande afronta para os judeus (cujo único rei era o Deus criador), que agora teriam que se colocar diante de um oficial romano para prestar contas de sua correção moral.

1. Os olhos do mundo se voltam para Belém.
“E todos seguiam para as cidades onde haviam nascido, a fim de serem arrolados. Por isso, José também viajou da cidade de Nazaré da Galiléia para a Judéia, até Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à cidade de Davi. E partiu com o propósito de alistar-se, juntamente com Maria, sua esposa prometida, que estava grávida” (Lucas 2: 3 – 5).

O recenseamento determinou que todos os habitantes das colônias do império voltassem às suas cidades natais para prestar contas de tudo (impostos e conduta moral) aos censitores (magistrados outorgados por Augusto). Deve ser algo parecido com o que vemos hoje em dias de eleição, quando os eleitores que ainda não mudaram suas zonas eleitorais regressam às suas cidades de origem para votar.

Com isso, o casal de Nazaré foi obrigado a viajar mais de 140 km para o sul, na direção de Belém, a cidade de Davi, sua antiga capital (Lc 2: 3 – 5). E como muitos homens tinham suas raízes ligadas até o rei Davi, a cidade camponesa que era tranquila foi tomada por milhares de judeus.

 

2. As “hospedarias” avisam: Não há vagas!
“… Não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2: 7c).

As regras de hospitalidade da época exigia que os habitantes locais abrissem suas casas aos visitantes, mas a quantidade de pessoas era tão grande que deve ter assustado os moradores de Belém, que também eram pobres. Desse modo, Maria e José tiveram que buscar uma “hospedaria”, que era um estabelecimento miserável, dirigido por pessoas de caráter duvidoso, que oferecia uma alternativa um pouco melhor que dormir ao relento (semelhante a um motel de beira de estrada). Não era o tipo de estabelecimento ao qual um homem levaria sua esposa e filho e, mais ainda, não era o lugar ideal para dar à luz.

Mesmo assim, até esses lugares estavam lotados em Belém naquela época. Posso até imaginar as portas das hospedarias com cartazes estampados em suas faixadas, informando: NÃO HÁ VAGAS.

 

3. A profecia se cumpriu.
Séculos antes do nascimento de Augusto, o profeta Miquéias (750 – 687 a.C) havia escrito:

“No entanto tu, Belém, Casa do Pão; Efratá, Frutífera, embora pequena demais para figurar entre os milhares de Judá, sairá de ti para mim aquele que será governante sobre todo o Israel, cujas origens são desde os dias da eternidade!” Por este motivo os israelitas ficarão abandonados sob o domínio do inimigo até ao tempo em que aquela que está em dores de parto tiver dado à luz; quando então os irmãos do governante voltarão para unir-se aos israelitas. Ele se estabelecerá e os pastoreará no poder de Yahweh, na majestade do Nome do Senhor, o seu Deus! “E eles viverão em paz e segurança, pois a grandeza dele alcançará os confins da terra”.

Miquéias 5: 2 – 4.

César Augusto pensava que seu decreto resultaria em maior controle sobre o mundo, mas na verdade, tudo o que ele fez foi simplesmente realizar uma tarefa para Deus. Ele buscou a glória suprema para ter a adoração não só dos romanos, mas de todos os povos conquistados pelo império; mas acabou sendo um instrumento para executar o plano soberano do Deus Todo-Poderoso. José e Maria viviam em Nazaré, mas a profecia de Miquéias dizia que o Messias nasceria em Belém.

O grande dia havia chegado! E Deus se fez valer da arrogância de um imperador que queria ser adorado como deus, para trazer ao mundo Àquele que é o Senhor de tudo.

“Enquanto estavam em Belém, chegou o momento de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o com tiras de pano e o colocou sobre uma manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2: 6 – 7).

A Deus toda a glória!

Por Linaldo Lima
– Sermão baseado nas lições extraídas do livro “Jesus, o maior de todos” / Charles R. Swindoll; Mundo Cristão, 2008 – (Série heróis da fé).

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