A Arte de Delegar Poder

quarta-feira, abril 17th, 2013

Textos-Base: Atos 9: 26 – 30 / Gálatas 6: 1 – 6.

delegando-poderHoje trataremos de uma questão fundamental para o bom desempenho presente dos líderes, e essencial para a formação futura de novos líderes, dentre os liderados: A arte de delegar funções dentro de uma equipe. E por que o termo “Arte”, visto que delegar é uma tarefa? Porque, infelizmente, ainda encontramos muitos líderes que buscam ocultar informações de seus liderados, além de centralizar todas as tarefas em si mesmo, nos levando a crer que a tarefa de delegar acaba se tornando uma arte, que poucos a possuem.

Segundo o Dicionário Aurélio online, delegar significa transmitir poderes, incumbir, investir na faculdade de proceder em nome de outrem (www.dicionarioaurelio.com/Delegar.html). Em outras palavras, delegar poder é repartir a autoridade ou domínio com outros.

Antes de adentrarmos aos pontos de nossa reflexão, e para uma melhor compreensão sobre a temática abordada, precisamos falar sobre as diferenças entre o MAR MORTO e o MAR DA GALILEIA, a saber:

O mar Morto retém em seus limites quase toda a água recebida do rio Jordão, sem dar-lhe vazão, o que tem feito seu volume diminuir a cada ano. A água retida evapora, restando em seu lugar uma altíssima concentração de sal, que impede a sobrevivência de qualquer espécie;

Por outro lado, o mar da Galiléia, que também recebe águas do rio Jordão, repassa-as adiante, permitindo que o rio multiplique e perpetue a vida ao longo do seu curso.

As diferenças acima podem ser aplicadas perfeitamente ao tema da nossa reflexão, mais precisamente quando fazemos a seguinte comparação: O líder que não delega e mata sua liderança (MAR MORTO), enquanto que o líder que delega vivifica sua forma de liderar (MAR DA GALILEIA).

1. A Arte de Delegar Poder.
Delegar nada mais é do que se dispor a envolver outros no exercício da liderança. É aproveitar as necessidades e oportunidades do dia-a-dia para desafiar outros a desenvolver seu potencial pela execução de tarefas específicas. O processo de delegação geralmente começa por atividades mais simples, podendo chegar a tarefas mais complexas com o decorrer do tempo, inclusive as tarefas que envolvem liderar pessoas.

A capacidade de realização de um líder se multiplica (e muito) quando ele se propõe em investir parte de seu tempo e talentos na identificação e preparação de algumas pessoas de sua equipe, que possam auxiliá-lo em suas atividades. Como resultado, o líder acaba tendo maiores realizações, através dessas pessoas que, desafiadas e influenciadas por ele, acabam cooperando com sua liderança.

2. O Medo de Delegar.
Entretanto, algumas pessoas em posição de liderança não se sentem suficientemente à vontade para delegar, isto é, não estão dispostas a repartir sua autoridade com os outros. E por que elas agem assim? Quais as causas? Que consequências podem trazer?

Bem, algumas delas se confessam acostumadas a fazer tudo sozinhas e, embora extenuadas, não conseguem quebrar facilmente esse paradigma. Já outras pessoas admitem que possuam a firme convicção de que não há ninguém mais preparado que elas próprias para executar determinada tarefa. Muitas delas, também, temem perder a posição de liderança porque outros podem “tomar gosto” por estar à frente de alguma atividade ou até mesmo fazer melhor que o próprio líder.

Pensamento como esses, fundamentados na acomodação, no egoísmo ou no orgulho, acabam minando gradativamente a capacidade de atuação de um líder (Pv 16: 18; 1Sm 2: 3), bem como sua competência para atrair e manter liderados. Ao insistirem em trabalhar sozinhos, esses líderes até conseguem sustentar por algum tempo a imagem de “super-herói”, mas desperdiçam oportunidades preciosas de se afirmarem como líderes generosos e de visão, líderes que poderiam abrir novas frentes de atuação caso houvesse pessoas capazes de conduzir atividades já estabelecidas.

Lideres centrados em si mesmos contribuem gradualmente para o seu próprio esgotamento e extinção (Êx 18: 17 – 18), assemelhando-se ao mar Morto, que aprisiona, em seus limites, quase toda a água recebida do rio Jordão. Por não repartirem o que receberam (dons e talentos (Mt 25: 14 – 30)), lideres avessos a delegar correm o risco de acabar como a “figueira sem frutos” (Mc 11: 12 – 14).

3. O Círculo Virtuoso da Delegação de Poder.
Os líderes que priorizam a delegação de funções, na verdade estão investindo em pessoas. Eles repartem generosamente o que receberam – dons, talentos, atenção – com seus liderados, na certeza de que todos serão beneficiados com isso. São comparados ao mar da Galileia, que se beneficia das águas do Jordão e as repassa adiante, permitindo que o rio multiplique e perpetue a vida ao longo de seu curso.

Lideres que delegam têm maiores chances de obter êxito no que fazem e onde atuam, uma vez que ousam colocar em movimento o circulo virtuoso que se inicia com a delegação de uma tarefa a alguém que poderá ser, futuramente, um novo líder, que por sua vez também repartirá o que recebeu com os outros. Somente lideres seguros e desejosos de que isso aconteça delegam poder a outros e, com isso, ampliam sua capacidade de realização (Êx 8: 19 – 27).

4. O Exemplo de Barnabé (At 9: 27 – 28).
Paulo havia se convertido não fazia muito tempo, se tornando seguidor de Jesus (At 9: 1 – 25). Ele partiu de Damasco para Jerusalém, onde buscou se juntar aos demais seguidores de Jesus. Mas todos tinham medo de Saulo, pensando que sua conversão não passava de um golpe de esperteza para ajuda-lo na localização e na prisão de mais cristãos (At 18: 1 – 3; 9: 1 – 2). Foi nesse contexto que a ação de Barnabé se mostrou essencial.

Teria sido muito fácil para Barnabé seguir a voz da maioria e também duvidar da conversão de Saulo, mas como um líder visionário e seguro, decidiu agir de modo diferente, dando um voto de confiança a Saulo, apesar das circunstâncias. A ação de Barnabé nos faz crer que em algum momento alguém havia acreditado em seu potencial, despertando nele a paixão por servir, inspirar e animar os outros (At 4: 36 – 37).

Por um propósito de Deus, coube justamente a esse José, chamado pelos apóstolos de “Barnabé” (que quer dizer “filho da consolação”), o privilégio de enxergar em Saulo uma pessoa que precisava de alguém que o animasse e lhe desse uma oportunidade.

E o restante da história nós conhecemos. Animado por Barnabé, Paulo devotou sua vida à pregação do evangelho de Cristo e, em sua caminhada, animou outros como Tito (Gl 2: 1; Tt 1: 4 – 5) e Timóteo (At 16: 1 – 5; 2Tm 1: 5 – 6; 3: 15) a servirem a Deus da mesma maneira que havia aprendido com Barnabé.

O que Barnabé fez com Paulo foi colocar em movimento o círculo virtuoso da delegação de poder, que se inicia quando um líder acredita no potencial de alguém. As páginas do Novo Testamento acabam confirmando que Barnabé estava certo em sua visão sobre Paulo.

5. Responsabilidade na Delegação de Poder.
Responsabilidade é qualidade indispensável a um líder. O fato dele ser ou não responsável refletirá diretamente na relação com seus liderados ao longo do tempo. Um líder responsável inspirará respeito e confiança, levando seus liderados a buscar serem responsáveis também. O inverso também é verdadeiro.

No texto de Gálatas 6: 1 – 10, podemos aprender as principais atitudes de um líder responsável, tais como:

    1. Comunhão com Deus. O líder responsável é “espiritual” (Gl 6: 1), e “semeia para o Espírito” (v.8);
    2. Autovigilância. O líder responsável vigia zelosamente seus pensamentos e ações (Tg 3: 13), “guardando-se para não ser tentado” (Gl 6: 1; 1Co 10: 12), ciente de que “aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (v.7; Pv 22: 8);
    3. Recondução dos que falharam. Ele não abdica de corrigir os “faltosos” (v.1), mas faz “com espírito de brandura” (v.1);
    4. Apoio aos que sofrem. Torna-se exemplo de quem ajuda a “carregar as cargas” dos outros (v.2), sendo incansável na prática do bem (vs. 9 – 10);
    5. Humildade. Sabe que depende completamente de Deus (v. 2; Rm 12: 3; 2Co 3: 5) para tudo, e nEle se gloria (Jr 9: 23 – 24; 2Co 10: 17 – 18).

Para finalizar nossa reflexão, ratificamos que a delegação de poder é essencial também à vida e ao serviço cristão. Considere, por exemplo, como os pais podem aplicá-la na educação dos filhos, levando-os a crescer em autonomia, até que sejam maduros para assumir plenamente suas responsabilidades diante de Deus e da sociedade.

Todos ganham quando um líder reconhece o valor de multiplicar suas ações através de seus colaboradores. Líderes e liderados crescem e se aperfeiçoam juntos quando cooperam em amor, como servos de Cristo (1Co 12: 25).

#FicaDica.

Por Linaldo Lima
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REFERÊNCIAS:

  1. TEIXEIRA, Pr. Paulo. Princípios Bíblicos de Liderança (Série Serviço Cristão) – ‘A Lei da Delegação do Poder – Responsabilidade. 1ª Ed. São Paulo, Cristã Evangélica, 2011.
  2. MAXWELL, John C. As 21 irrefutáveis leis da liderança: uma receita comprovada para desenvolver o líder que existe em você. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007.
  3. BÍBLIA de Estudo Aplicação Pessoal. Versão Almeida, Revista e Corrigida, 1995.
  4. BÍBLIA Devocional de Estudo. Versão Almeida, Revista e Corrigida com referências, 1997.
  5. WIKIPEDIA.org. Mar Morto. Artigo disponível na internet via WWW, através da URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_Morto. Acessado em 17/04/2013.
  6. WIKIPEDIA.org. Mar da Galileia. Artigo disponível na internet via WWW, através da URL: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_da_Galileia. Acessado em 17/04/2013.

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